Autoconhecimento em viagens de estudo do meio

Educandos pelo mundo

A competência 8 da BNCC trata do desenvolvimento da capacidade de se conhecer e de se cuidar. O estudante precisa aprender a se conhecer, gostar e cuidar, como também precisa saber lidar com as suas emoções, potencialidades e limitações do seu corpo.

A 8ª competência deve ser inserida nos currículos a fim de promover uma autoconsciência aos alunos sobre o que devem fazer e o que devem evitar para desenvolver seus potenciais e zelar da sua saúde. É essencial que também saibam compreender as mudanças que ocorrem nos seus corpos e que saibam lidar com elas.

É fundamental que haja um trabalho planejado e sistemático que estimule o autoconhecimento, como também o favorecimento da construção de valores e de uma identidade.  Essa busca de si mesmos, de conhecimento de quem são, no entanto, permitirá a identificação de fraquezas e inseguranças. É nessa hora que o papel do educador se volta para a valorização das suas qualidades fomentando autoestima e coragem para enfrentar as dificuldades.

As atividades de estudos do meio são oportunas para trabalhar a 8ª competência geral da BNCC porque elas possibilitam o enfrentamento de outros desafios, diferentes daqueles que os alunos encontram comumente em sala de aula. Muita vezes, é natural que diversos alunos que, dentro dos muros da escola, não apresentam desempenhos relevantes no campo acadêmico, acabem demonstrando uma performance surpreendentemente positiva fora das fronteiras formais da escola.

Afinal, quanto mais complexos e desafiantes forem os problemas que os alunos conseguem resolver, mais eles desenvolvem autoestima e autoconfiança.  O pensamento é simples: quando eles são capazes de ultrapassar barreiras e obstáculos impostos pela escola, seja em matemática ou em ciências, mais eles se sentem preparados para enfrentarem os desafios que a vida lhes apresenta. Essa prática pode ser proposta também nas viagens pedagógicas, afinal é justamente fora da escola que enfrentamos – todos nós – a maioria dos problemas que temos na vida.

As viagens de estudo proporcionam outro laboratório essencial para promover autoconhecimento e autoestima: as relações entre eles. São – portanto – oportunidades propícias para aprender a respeitar as diferenças, superar inibições, lidar com os improvisos e, por fim, construir amizades.

Lembro-me de certa vez, estava em Londres com um grupo de alunos de ensino médio. Tínhamos acabado de conhecer a estação King Cross, aquela que, nos livros da J.K. Rowling, o Harry Potter e seus amigos embarcam para Hogwarts. Nesta feita, tive a ideia de sugerir um desafio para os alunos. Chamei a dupla de alunos que apresentavam a postura mais tímida e insegura e lhes fiz um convite: levem-nos de volta para o hotel. Isso mesmo! Eles deveriam pesquisar – ali na estação –  quais linhas de metrô devíamos embarcar para chegarmos novamente no hotel. Eu sabia que não existiriam linhas diretas. Existiam dificuldades, porque deveríamos embarcar e desembarcar algumas vezes, inclusive mudando de linhas de metrô. Era uma tarefa exigente para dois garotos de 15 anos que não só não conheciam Londres, mas, principalmente, jamais tinham feito uso de metrô. Isso faz 12 anos, não havia google maps ou qualquer ajuda cibernética. Eles precisavam, então, pesquisar no mapa, entender a lógica das estações e, decerto, perguntar aos habitantes da cidade, em inglês.

O resultado, porém, não poderia ter sido melhor. Depois de 15 minutos de busca, aparentando insegurança, os dois tomaram o desafio com seriedade, superaram a timidez e interpelaram os transeuntes, e, por fim, sem nenhuma intercorrência, nos levaram de volta para o hotel com um sorriso de satisfação e autoconfiança nos rostos.

Depois desse episódio, foi natural que outros estudantes se aproximassem com intuito de conhecer os “heróis do dia”. Eles, afinal, tinham virado celebridades.

Esse é um exemplo de como é possível se desenvolver a competência 8 em viagens pedagógicas. È importante que a escola realize um planejamento que permita esse tipo de interferência dos alunos. Em suma, quanto menos passivo no processo ele for, mais seguro de si, ele se torna.

Isso, decerto possibilita o crescimento do autoconhecimento e da autoestima de qualquer estudante.

E do seu professor.

Sobre o Autor

Max Franco
Formado em Letras, é professor de Língua Portuguesa, língua Italiana, Literatura, Redação e Storytelling, além de Guia de Turismo. É pós-graduado em Inovação em educação e mestre em Gestão de negócios. Max Franco trabalha com educação faz 30 anos, tendo experiência internacional e em escolas e faculdades de São Paulo e Fortaleza. É autor de 7 livros, entre eles “Storytelling e suas aplicações no mundo dos negócios”, lançado pela Editora Atlas em 2015. É consultor de diversas Empresas de consultorias em São Paulo e Rio de janeiro, trabalhando sempre com o tema Storytelling. Max Franco acumula experiências de ministrar treinamentos empresas de marcas de renome nacional: Globosat, Estadão, Mauricio de Sousa Produções, Universidade corporativa Ernst Young (EYU), Inova Business School, Instituto brasileiro de formação de educadores, entre outras. Atualmente, é, também, coordenador do curso de Pós-graduação em Metodologias ativas do IBFE, além de palestrante indicado por consultorias de todo o Brasil. Livros escritos - Na corda bamba, romance, 2007; - O confessor, romance, 2008; - No fio da navalha, romance, 2009; - Palavras aladas, 2011 (Prêmio Milton Dias de melhor livro de crônicas de 2010 – Secult CE); - Palavras amargas, (Prêmio Oliveira Paiva de melhor livro de contos- SME Fortaleza); - Storytelling e suas aplicações no mundo dos negócios, Editora Atlas, 2015; - A jornada do aprendiz: storytelling e metodologias ativas, Unità Editora, 2018. - Inovação em sala de aula (Coautor), Unità Editora, 2018.

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