As tendências da Educação para o Século XXI

A verdade é que educar nunca foi tarefa fácil, e, agora, nestes primeiros anos deste confuso milênio que há tão pouco tempo estreou, parece ainda mais desafiante.
Não faltará, contudo, quem questione – até com certo fundamento – as minhas conjecturas. Como assim “desafiante”? Vivemos na era da informação imediata, on line; da informação portátil, touch; da informação 4 D, 4 G, 4 fantásticos. Como assim educar é tão difícil?
A resposta é simples: informar é uma coisa, educar é outra.
Na verdade, quem não é educado para informar-se nem sequer se relaciona bem com a grande gama de informações que teria acesso. Boa parte dos seres humanos, urbanos ou rurais, acaba ignorando o mundo ao seu redor ou algo igualmente pernicioso: engolindo tudo sem crivo ou espírito crítico, tornando-se, assim, a famosa massa de manobra tão útil para a manutenção do status quo de qualquer sistema.
A pergunta que me vem quando o vernáculo “Educação” se apresenta em qualquer mesa é simples: educar para quê? As boas escolas deste país, ao menos até o ensino médio, têm uma performance excelente quando se propõem a fabricar bons alunos, competentes e competitivos, no entanto, apenas bons repetidores. Onde está, afinal, se produzindo seres criativos e inovadores neste país? Estamos estimulando as novas gerações a pensar?
É justamente nesta encruzilhada conceitual que se apresenta um dilema fundamental: se tivermos apenas bons repetidores, como faremos para solucionar os antigos e novos problemas que , a cada dia e cada vez mais, vêm bater à nossa porta? Todos sabemos, por exemplo, que o mundo atual é acossado por uma grande crise ética, econômica e ambiental. Como fazer, portanto, para lidarmos com estes problemas abissais? Que tipo de ser humano está saindo das nossas escolas? Se a resposta for um sujeito crítico e empreendedor, cidadão e participativo, protagonista da sua vida e provocador de mudanças positivas, seria perfeito.
Mas é?
E a família, onde fica nesse tabuleiro de xadrez?
Antes de tudo, precisamos enxergar que não existe apenas esse substantivo no singular. Há famílias e há famílias. Cada uma
com a sua realidade e inclusive com a realidade de não existir. De maneira geral, a família quer educar. Lógico que quer. Mas anda bastante confusa na hora de fazê-lo. Os valores hodiernos andam diferentes. As paisagens sociais mais ainda. A família até pede ajuda para a escola. Por isso que é tão importante que se escolha uma escola que melhor sintonize a sua prática às suas aspirações. Não dá pára se reclamar da areia depois que se opte por ir à praia.
E quanto às instituições de ensino superior, elas estão, de fato, engajadas na construção deste novo homem do século XXI ? A universidade precisaria atender melhor às demandas da sociedade? Talvez sim. A universidade tem um papel essencial por uma razão muito simples: ela faz parte da sociedade. Infelizmente, o que se vê certas vezes é a academia encastelada no cume do seu Olimpo intelectual como estivesse à parte das agruras da modernidade, das questões cruciais da humanidade.
Então como se educar se a escola está equivocada, a universidade, isolada e a família, perdida?
Sim, e o Estado, onde entra nessa conta?
Infelizmente, pelo que podemos concluir, entra para subtrair. Melhor, então, tratarmos apenas de quem realmente se importa
com as novas gerações de brasileiros.
Formar o cidadão, isto é o que importa. Educar para a cidadania. Afinal, a única chance que temos de reverter as estatísticas
de desigualdade social, da violência e dos déficits estruturais é a de povoarmos as cidades de cidadãos. Gente que possa ser competente e competitiva, é claro, mas também que seja sensível às necessidades coletivas. Que interfira positivamente. Que pense na comunidade. Que encontre saídas.
A família, a escola e a universidade. Este é o tripé sobre o qual está erigida a nossa educação. O que a sociedade precisa é fortificar essas instituições. Precisa, obviamente, também controlá-las, fiscalizá-las, mas também respaldá-las e contribuir para que elas possam fazer o papel que lhes cabe numa tarefa indispensável: garantir o nosso futuro.

Sobre o Autor

Max Franco
Formado em Letras, é professor de Língua Portuguesa, língua Italiana, Literatura, Redação e Storytelling, além de Guia de Turismo. É pós-graduado em Inovação em educação e mestre em Gestão de negócios. Max Franco trabalha com educação faz 30 anos, tendo experiência internacional e em escolas e faculdades de São Paulo e Fortaleza. É autor de 7 livros, entre eles “Storytelling e suas aplicações no mundo dos negócios”, lançado pela Editora Atlas em 2015. É consultor de diversas Empresas de consultorias em São Paulo e Rio de janeiro, trabalhando sempre com o tema Storytelling. Max Franco acumula experiências de ministrar treinamentos empresas de marcas de renome nacional: Globosat, Estadão, Mauricio de Sousa Produções, Universidade corporativa Ernst Young (EYU), Inova Business School, Instituto brasileiro de formação de educadores, entre outras. Atualmente, é, também, coordenador do curso de Pós-graduação em Metodologias ativas do IBFE, além de palestrante indicado por consultorias de todo o Brasil. Livros escritos - Na corda bamba, romance, 2007; - O confessor, romance, 2008; - No fio da navalha, romance, 2009; - Palavras aladas, 2011 (Prêmio Milton Dias de melhor livro de crônicas de 2010 – Secult CE); - Palavras amargas, (Prêmio Oliveira Paiva de melhor livro de contos- SME Fortaleza); - Storytelling e suas aplicações no mundo dos negócios, Editora Atlas, 2015; - A jornada do aprendiz: storytelling e metodologias ativas, Unità Editora, 2018. - Inovação em sala de aula (Coautor), Unità Editora, 2018.

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